O Centro Espírita









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O CENTRO ESPÍRITA



Apresentação
A abordagem que fazemos sobre O Centro Espírita...

A abordagem que fazemos sobre O Centro Espírita pretende apenas ser um contributo para quem deseje implementar uma instituição decalcada nos princípios da Codificação Espírita que traz de volta O Consolador Prometido por Jesus e que deverá lembrar tudo quanto Ele nos ensinou, esclarecendo todas as coisas.

Pretende-se apenas, fruto da experiência de trinta anos de actividade, contribuir, a par do Documento ORIENTAÇÃO AO CENTRO ESPÍRITA, aprovado pela Federação Espírita Portuguesa, para uma melhor definição das Casas Espíritas e um melhor e mais eficaz funcionamento.

Não iremos abordar o exercício prático dentro do Grupo Mediúnico nem faremos qualquer desenvolvimento de mediunidade ou prática de trabalho mediúnico. Entende-se que o complemento do segmento evangélico/doutrinário se fará com a análise do exercício prático do trabalho espiritual do Centro Espírita, mas que o trabalho de desenvolvimento dos trabalhos práticos deve ser apenas reservado àqueles que sequencialmente se comprometam a integrar-se no trabalho do Centro Espírita.

Advogamos, assim, que os interessados na vivência espírita, deverão formar Centros Espíritas, ou integrar-se naqueles que já existem, preparando-se e integrando-se em Grupos de trabalho devidamente dirigido por pessoa responsável e da confiança dos dirigentes, que fará um trajecto de exercício prático no domínio da educação mediúnica em todas as suas cambiantes, de psicofonia, psicografia, vidência ou outra, bem assim como de "intuição/doutrinação", de formação de corrente e de direcção coadjuvante de grupo, sob orientação do dirigente escolhido.

Desta forma o que vamos desenvolver é, sim, a análise prático-teórica da aplicação dos conhecimentos ao exercício de O Consolador e que poderá ser adaptado aqui ou ali de acordo com o Documento "Orientação ao Centro Espírita" aprovado, e já em vigor, pela Federação Espírita Portuguesa.



1. O CENTRO ESPÍRITA
A grande tarefa dos espíritas consubstancia-se...

A grande tarefa dos espíritas consubstancia-se no auxílio fraterno, seja através da palavra, seja através da reunião mediúnica de auxílio aos desencarnados, seja ainda através da fluidoterapia, sendo que, em quaisquer circunstâncias, se deve ter presente a segurança que o grupo traz ao trabalho, dando corpo ao enunciado por Jesus de que "onde dois ou três estivessem Ele estaria", evidência que se comprova facilmente pela necessidade de haver corrente de defesa que coloque a tarefa ao abrigo de interferências de terceiros, sempre susceptíveis de eficiência quando se trate de ajuda fraterna.

Partindo desta realidade, toda a tarefa do Centro Espírita deve ser prosseguida tendo presente a realidade do "grupo" como forma de auxílio mais eficaz e tratamento das questões com maior segurança, o que alias se enquadra dentro do princípio de fraternidade advogado pela Doutrina.

Como tal disciplina e organização são tarefas fundamentais dentro da casa espírita, tendo presente que sendo uma instituição que deve estar perfeitamente ligada à estrutura existente no mundo espiritual, não devemos descurar esta realidade tendo presente que, sempre que agem os encarnados, do outro lado da "barricada" estão os desencarnados. Isto é, o Centro Espírita é uma instituição constituída por espíritos nos dois planos de vida e isso não deve ser esquecido por ninguém, sob pena de o mundo espiritual diminuir a sua assistência a grupos auto-convencidos.

O Centro Espírita é, pois, uma célula de resposta ao convite do Consolador para que "façamos aos outros o que gostaríamos nos fizessem a nós", local onde de forma privilegiada podemos fazer aquilo que nos pode conduzir à salvação - a CARIDADE. Podemos dizer que o Centro Espírita deverá ser a reposição da Casa do Caminho onde Jesus anunciava a Boa Nova e impunha as mãos aos doentes.



  a . Direcção do Centro Espírita
  
(1) Direcção terrena e direcção espiritual

Integrados que estamos, enquanto espíritos/espíritas encarnados, não podemos desconhecer que o "a César o que é de César" se aplica por inteiro às nossas instituições, o que implica que as casas espíritas se oficializem e se enquadrem legalmente no funcionamento das sociedades organizadas.

Desta forma o Centro Espírita deve ter os seus Corpos Sociais devidamente organizados e eleitos, da forma que melhor servir os interesses da Doutrina e do movimento. Não se deve esquecer, todavia, que a organização e direcção do Centro Espírita não pode esquecer que as suas decisões e orientações devem ter presente que, no mundo espiritual, o espaço é organizado e gerido por equipa afim à dos encarnados, pelo que todas as actividades e tarefas devem ser ponderadas por forma a respeitarem a organização espiritual.

Não esquecer que dessa integração baseada em princípios de moral evangélica, do interesse comum e do amor desinteressado dependerá o progresso e os resultados das tarefas programadas.

Senso, ponderação e o conhecimento da forma como funcionam as estruturas do mundo espiritual, baseadas em valores e princípios de elevada moralidade e de trabalho intenso, serão grandes ajudas para o trabalho de direcção terrena, pois a intuição e a inspiração funcionarão no sentido do bem geral.

Somos peças da mesma engrenagem e precisamos de ter presente que "os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos". Daí que seja igualmente importante o trabalho da direcção terrena, quanto o da direcção espiritual.

Se assim fizermos, certamente que a eficiência será real e todos trabalharão pelo bem de todos.

(2) Centro Espírita e Sociedade

Como é natural não podemos pensar que, tendo tudo quanto se faz de ser contabilizado a favor ou a desfavor, o Centro Espírita será sempre um referencial para a sociedade, importando que todos aqueles que nele se integrem se convençam que qualquer atitude, conversa ou intervenção social se reflectirá directamente sobre a Doutrina e sobre o Movimento em que esteja integrado. Cair nos erros das religiões tradicionais, que adaptaram os conceitos aos seus hábitos, comodismo e preconceitos, é empurrar o Espiritismo para um falhanço que se reverterá para os seus agentes e responsáveis.

Daí que, aqueles que se queiram integrar no trabalho espiritual de grupo, precisem de ter presente essa realidade e que os dirigentes tenham presente esta responsabilidade incomensurável.

Dirigir um Centro não é dirigir uma qualquer colectividade recreativa. É preciso ter em atenção que ele será o espelho do que forem os seus constituintes, em particular os dirigentes.

(3) Centro Espírita e Movimento

A instituição espírita também precisa de se consciencializar que faz parte de uma grande cadeia, trabalhando na Seara de Jesus, e que o seu grande timoneiro é o próprio Mestre.

Daí que o trabalho deva ser planificado tendo em atenção o interesse geral, e não o interesse de grupos ou de pessoas menos escrupulosas.

Mas igualmente o Centro Espírita não deve ser apenas uma dúzia e meia de cadeiras que sejam ocupadas quando um ou outro ambicioso palestrante queira dar campo a um hipotético falhanço em vidas anteriores, e que esteja mais interessado em ser ouvido do que em espalhar a doutrina.

O Centro Espírita deve trabalhar fundamentalmente para fora das paredes e transformar a casa em banco de urgência onde venham socorrer-se os mais necessitados.

Dessa forma a estruturação deve ser dinâmica e se o espaço é pequeno, então estruture-se por forma a que ele possa ser utilizado mais vezes, dando oportunidade a mais pessoas de ouvir a doce melodia dos imortais, trazendo de volta o Cristianismo Redivivo.

Criem-se condições para o trabalho de mais trabalhadores, mesmo os de "última hora" que, como o Mestre ensinou, bem podem ocupar os primeiros lugares, porque quem sabe não estarão de volta luminares da espiritualidade para impulsionar o Bem.

Daí a grande responsabilidade que aos dirigentes incumbe na criação de condições, seguras e fiéis, para que outros potenciais trabalhadores se preparem para as tarefas, contribuindo, como veremos adiante, para a formação de mais grupos, cuja acção deve ser centralizada e supervisionada, permitindo-se a tarefa aos médiuns compromissados com a seara.

Alguém irá responder face à não criação de condições para que os trabalhadores exerçam a Caridade, fora da qual não haverá salvação.

(4) Organização da assistência espiritual

É de ter em atenção que a estrutura organizativa do mundo espiritual é um facto incontroverso. Por mais que nos custe admitir, o Centro Espírita tem, no mundo espiritual, uma estrutura montada, organizada e bem orientada que não pode deixar de influenciar a estrutura terrena, embora o inverso se verifique também.

Ainda que alguns dirigentes se convençam que são o melhor que há, que agem como verdadeiros fascinados da estrutura, espiritualmente contribuem para condicionar fortemente o grupo de entidades que se predispõem ao trabalho conjunto.

Fomos conhecedores de um centro onde o dirigente encarnado determinava o que faziam os encarnados e os desencarnados, estes particularmente enquanto guias dos médiuns. E questionamos os mentores sobre como era possível que o tratamento dessas entidades fosse aceite como se de escravatura se tratasse. A resposta foi significativa. Os guias não se sujeitavam a essa acção. Aproveitavam para treinar outros espíritos na tarefa de tomarem os médiuns, darem a sua curtíssima saudação, porque mais lhes não era permitido, numa preparação para virem também a desempenhar essas tarefas com outros aparelhos mediúnicos.

Ocorre, porém, que a persistência em acção improfícua, leva os espíritos a afastarem-se, quando os trabalhos não são de interesse, sendo que as forças inferiores ocupam rapidamente os lugares e se aproveitam da fascinação, que não deixa que as pessoas ouçam ninguém, para se auto-proclamarem guias e agirem como tal, levando os grupos a denegrir e a desvirtuar a trabalho espiritual.

O trabalho organizado, espiritualizado, consciente e sincero amplia a intervenção do mundo espiritual, prepara os ambientes para tarefas mais elevadas, estrutura missões de socorro a partir dos recintos e eleva significativamente o índice de eficiência no socorro fraterno.

Muito embora a maioria das casas espíritas se localize na zona urbana e em prédios em propriedade horizontal, o mundo espiritual tem a zona vigiada e sujeita a segurança espiritual bem montada, o que, havendo estreita colaboração vibratória com os encarnados, contribui para um controlo bem evidente do espaço de influência do centro, onde, como consequência da boa organização espiritual e com uma protecção do ambiente de trabalho em permanência, não é permitida a entrada a falanges inferiores, mau grado a influência que pode continuar a ser feita sobre os encarnados, com emissões de pensamentos à distância.

Desde cedo que os encarnados, quer os que vão ser assistidos, quer aqueles que vão entregar-se ao trabalho fraterno, são envolvidos pelo mundo espiritual que tem constituído uma área onde a fluidificação se irá fazer, mas em geral mantém toda a área liberta de vibriões perturbadores que possam influenciar negativamente os trabalhadores.

Como a finalidade é colaborar na construção de um mundo melhor, é tempo de agir, preparando-se os candidatos para evoluírem, amando.



2. ATENDIMENTO NO CENTRO ESPÍRITA
a . Equipas de Atendimento

O Centro Espírita, como instituição de Divulgação e de Socorro espirituais, destina-se a receber aqueles que busquem esse auxílio, num mundo onde a ignorância religiosa é impressionante e onde as religiões tradicionais se encarregaram de deturpar e interpretar, as leis trazidas pelos Profetas e reveladas por Jesus, a seu bel prazer, conduzindo a Humanidade a um estado de afastamento de Deus que é bem visível na crise sócio-moral que a Terra vive.

Desta forma, sendo o Centro Espírita a instituição que deve viver e espalhar o Espiritismo, libertando as mentes de ideias incorrectas que religiosos sem escrúpulos lançaram sobre a Doutrina, é fundamental a forma como as pessoas são recebidas e atendidas na casa espírita.

Por outro lado, e de acordo com tudo quanto já analisamos em torno da Doutrina, sabemos que estamos rodeados por espíritos, encarnados e desencarnados que sempre influenciam a todos, particularmente os desencarnados, já que a intervenção ao nível do pensamento, vulgarmente em situações de intuição ou de inspiração, se faz concreta e actuante. Daí que, para prevenir a seriedade do atendimento, do diálogo fraterno, é de toda a conveniência que, quando qualquer pessoa demanda ao Centro Espírita, deva ser recebida por alguém que, dando as primeiras informações, a conduza a equipas de atendimento, onde os elementos ajam em apoio mútuo.

A análise de cada caso e o aconselhamento, devem ser feitos em grupo, sendo que, para este caso concreto, pelo menos duas pessoas estejam presentes, se possível uma de cada sexo e que, em caso de estar presente um médium de incorporação, o grupo tenha pelo menos três elementos, para que haja mais apoio e formação de corrente. Em qualquer caso o médium, se não conseguir segurar-se sem receber entidades, não deve fazer parte de grupo de atendimento.

A recepção do visitante reveste-se de importância extraordinária porque as primeiras impressões marcarão não só a sua frequência futura, como a sua adesão, como a imagem que eventualmente passarão para o exterior. Este atendimento deve ser feito na primeira hora de trabalhos públicos, a que se seguirá o esclarecimento, ou evangelização pública.

b. Qualidades a desenvolver por quem atende

As pessoas destacadas para o atendimento, deverão possuir determinadas qualidades fundamentais, dentre as muitas que deverão ter aqueles que se integram como trabalhadores do Centro Espírita, e que genericamente adiante abordaremos.Importa, todavia, relacionar desde já algumas:

(1) Todo aquele que demanda o Centro Espírita geralmente já procurou solução para os seus problemas em todo o lado, seja na Medicina, seja nos curiosos cartomantes, quiromantes, adivinhos e outros praticantes de astrologia e actividades correlatas. Daí que venha normalmente predisposto a falar sobre a sua vida e problemas, de forma clara e profunda. Todo aquele que atenda, pois, no Centro Espírita, deve antes de mais SABER OUVIR.E porque o assunto que é abordado é absolutamente confidencial, que tem que ver com a vida particular de cada um, e pode ter consequências sociais graves, quem atende deve SABER GUARDAR O QUE OUVE.

(2) A pessoa que atende no Centro Espírita deve ser da inteira confiança dos responsáveis pelo Departamento/Secção responsável;

(3) A pessoa que atende deve ter conhecimentos doutrinários mínimos para poder dialogar como visitante;

(4) A pessoa que atende deve ter experiência no trabalho espiritual, para poder discernir a aconselhar o visitante;

(5) A pessoa que atende deve ter a noção perfeita da enorme responsabilidade desta actividade do Centro Espírita.

c. Cuidados e Preocupações

O atendimento deve sempre começar por ouvir as pessoas que requerem a ajuda, e somente face aos problemas apresentados é que o diálogo deve ser orientado.

Todos os elementos que constituem o Grupo de Atendimento precisam de ter consciência da gravidade e responsabilidade da tarefa, e as qualidades devem ser de todos.

Os responsáveis devem garantir a confidencialidade do diálogo e sensibilizar todos aqueles que atendem para o sigilo absoluto do diálogo, mesmo das informações anotadas em Ficha própria, que deve ser confidencial.

Todos devem ter consciência que, pela forma como receberem as pessoas que buscam socorro, dependerá a imagem da Doutrina e daqueles que a vivem, seguem e servem.

Tudo aquilo que disserem, ou a forma como o disserem, irá ser divulgado de forma positiva ou negativa, daí decorrendo a imagem pública do conjunto de trabalhadores, da instituição, do Movimento Espírita e do Espiritismo.

O atendimento nunca deverá revestir o sistema de inquérito, de interrogatório, mas sim de abordagem da Lei de Acção e Reacção e de Causa e Efeito, jamais esquecendo que o Espiritismo é O Consolador Prometido pelo que o atendimento deve criar sempre a esperança e o consolo.

Aqueles que atendem não podem nem devem tomar qualquer partido nos casos apresentados que envolvam desentendimentos entre encarnados, ou problemas com desencarnados.

d. Ficha de Atendimento

A equipa de atendimento deverá socorrer-se de uma Ficha de atendimento com itens orientadores para que o eventual diagnóstico seja o mais correcto possível.

A Ficha, para além da identificação da pessoa ou pessoas (se família directa), deverá abordar duas facetas de análise: a faceta física e a faceta espiritual.

Os responsáveis devem garantir a confidencialidade do diálogo e sensibilizar todos aqueles que atendem para o sigilo absoluto do diálogo, mesmo das informações anotadas em Ficha própria, que deve ser confidencial.

As questões colocadas na Ficha poderão servir à forma de diagnosticar mais claramente a situação, e não é obrigatório que todas elas sejam feitas, porque nem todas se referirão às pessoas em atendimento.

A análise desta Ficha deverá ser feita, posteriormente, pelos responsáveis pelo Departamento/Secção a fim de estabelecer ou confirmar a terapia a desenvolver.

Esta Ficha é absolutamente confidencial, devendo ser arquivada, sendo elaborada uma Ficha de Tratamento e um cartão de tratamento que será entregue ao paciente logo após o tratamento efectivado.

A Ficha de Tratamento incluirá duas terapias. O Atendimento a Sofredores, que normalmente se identifica como Trabalho de Desobsessão, e o Passe Magnético e/ou mediúnico. O primeiro assim identificado, porque, normalmente, as pessoas não seguem com assiduidade esse tratamento, interrompem-no logo que sentem melhoras, pelo que, verdadeiramente, não se dará a desobsessão, senão somente o atendimento mediúnico de espíritos sofredores a maioria das vezes utilizados pelos obsessores para levaram a cabo a sua acção. O segundo, de presença obrigatória e daí a necessidade de marcação e de confirmação da presença.

e. Marcação dos tratamentos

A marcação dos tratamentos deve ser centralizada pelo grupo designado para o efeito. Deve haver imparcialidade de marcação em relação aos grupos de tratamento existentes, pelo que é aconselhável o anonimato da marcação.

Esta marcação deverá ter em atenção que a prescrição deve ser anotada e a presença confirmada, para que as pessoas compareçam sempre às palestras de esclarecimento e/ou o passe, e não apenas quando se trate de "atendimento a sofredores".

Os grupos que façam o tratamento deverão anotar na Ficha qualquer indicação que possa sugerir a continuação e que tipo de tratamento a prosseguir.

É evidente que a eficiência do tratamento dependerá sempre da acção do paciente, acção que se prenderá com o merecimento e da consciencialização para a necessidade de uma profunda modificação interior.

Entende-se que as pessoas devem ser esclarecidas que a sequência lógica do tratamento deverá ser o estudo mais ou menos sistematizado, a frequência deste Curso Básico, para um melhor conhecimento da Verdade que liberta, conforme definido por Jesus, como deverão ser esclarecidos que o "fazer aos outros o que desejariam lhes fizessem" tem que ver com a integração no trabalho e que essa integração deverá passar sempre por esta frequência e por estudo sistematizado sequencial que lhes abrirá as portas da integração em grupos de trabalho no Centro Espírita.

Logo, a sequência lógica estará definida - Atendimento a Sofredores - Passe - Curso Básico - Integração no Trabalho., sempre de forma voluntária e no exercício do seu livre arbítrio.

O Centro Espírita e os seus responsáveis não podem esquecer que, sendo a mediunidade um compromisso assumido por quem a detém, caberão grandes responsabilidades a quem cercear essa possibilidade àqueles que manifestem vontade, pela sua não integração nos trabalhos. Daí que o esforço de integração, dentro de parâmetros perfeitamente definidos, deve ser preocupação permanente dos dirigentes das Casas Espíritas.

f. Cunhas e Caridade fraterna

É evidente que a ideia geral que subsiste na Sociedade em que nos inserimos, é que tudo se consegue com um pedido ou com uma "cunha". Não podemos esquecer que todos os casos são diferentes uns dos outros, que nem todos os tratamentos deverão ser iguais, que haverá situações excepcionais a ter em atenção, casos mais urgentes e mais graves, mas todas as situações poderão ser explicadas com clareza, sendo de toda a conveniência evitar situações pouco compreensíveis.

Existe a ideia de que os trabalhos mediúnicos, e logicamente os de atendimento a sofredores, são-no para os Espíritos, desencarnados. É absolutamente correcto. Porém em todo este processo funciona o conhecimento presencial da realidade, pelo que deverá ser tido em consideração que a maioria dos dirigentes e trabalhadores são-no hoje graças ao fenómeno mediúnico a que assistiram, participaram ou intervieram directamente. Não podemos deixar de referir que se Kardec não tivesse participado dos trabalhos fenoménicos, certamente não teria tido a possibilidade de erguer a obra extraordinária que é a Codificação. E todos sabemos que Divaldo, quando se iniciou na Doutrina Espírita, em pleno processo obsessivo, foi presente ao socorro mediúnico, aliás em sua própria casa, onde foi ajudada a entidade que o tomava e que o paralisou durante algum tempo.

Sendo que a curiosidade não deve ter já lugar na fenomenologia espírita, não são de atender os pedidos de participação para satisfação dessa mesma curiosidade. Não deixa de ser fundamental agir com senso e a ponderação. Não é compreensível que se permita que assistam os amigos ou as cunhas e que a gente humilde não possa saber, com clareza, de que se tratam as sessões mediúnicas e, como refere a O Livro dos Espíritos na pergunta 935, a reunião mediúnica é o momento em que os familiares desencarnados verificam que não nos esquecemos deles e que, nós encarnados, podemos comprovar que aqueles familiares queridos que partiram já para o mundo espiritual, também se lembram de nós.

Nesta fase do desenvolvimento do Espiritismo em Portugal ainda subsiste muita ignorância, pelo que deve vigorar o senso e a ponderação, eliminando processos de favor ou de excepção para amigos e pessoas importantes.

g. Acção dos dirigentes espirituais

A gestão e administração do Centro Espírita é da responsabilidade dos encarnados que devem ter permanente preocupação em inovar e em impulsionar o trabalho estrutural, visando uma projecção da Doutrina e uma cada vez maior intervenção social na formação da cidadania do mundo.

Todavia os dirigentes não deverão esquecer que não estão sós e que necessitam de ser acompanhados, intuídos ou inspirados para que os objectivos estejam na linha de preocupação principal ao serviço na Seara de Jesus, o timoneiro do grande Barco.

Quando a preocupação é grande, os guias da instituição não deixarão de ajudar para que tudo seja sempre o melhor possível para o Espiritismo.

Cuidados especiais devem existir para que dirigentes e trabalhadores não enveredem pela fascinação. O resultado dos trabalhos levados a cabo é do conjunto, do grupo, da instituição e não de cada um isoladamente.

A obsessão está à espreita para implantar a vaidade e o orgulho. Humildade e dedicação são ingredientes importantes. Dessa forma tudo funcionará de acordo com a vontade do Mestre, nosso Modelo e Guia.



3 Gestão Administrativa do Centro Espírita
A gestão administrativa da casa espírita...

A gestão administrativa da casa espírita deve ter em atenção as leis e regras do país, embora, sempre que seja possível, se devam adaptar os métodos.

Limitamo-nos a dar algumas pinceladas sobre o assunto, de acordo com a nossa experiência. Assim:

" Na organização administrativa os Corpos Sociais terão que ter uma constituição com um número mínimo de elementos - Presidente, Secretário e Tesoureiro, além de dois vogais. Mas nada obsta a que tenham mais, de acordo com a projecção atingida.

" A forma de eleição dos elementos que constituem os Corpos Sociais não é obrigatório ser através de uma lista ou com votação sempre sujeita a debates perniciosos e negativos, como ocorre em organizações laicas. A instituição espírita deve analisar as necessidades e o que for melhor para a «casa espírita» e para o movimento e, centrar-se no valor das pessoas que melhor possam levar por diante as tarefas programadas. Os actos eleitorais são manifestamente negativos e desagregadores.

" Os documentos e escriturações exigidas por lei deverão ser tidos em consideração, para que se não seja acusado de incumprimento da lei.

" A instituição espírita é uma entidade sem fins lucrativos, pelo que todos os donativos ou quotas ou outros proventos deverão ser utilizados em benefício da divulgação e da assistência social aos mais carenciados.

" As Casas espíritas são destinadas à divulgação e difusão do Espiritismo e à prestação de uma real e efectiva Caridade. Por isso há que ter grande cuidado com a admissão de sócios, que devem ser recrutados entre aqueles que provarem uma efectiva vivência cristã, com assídua participação nas actividades da casa, por um tempo mínimo razoável. Todos os outros que manifestem desejo de colaborar, devê-lo-ão fazer na condição de colaboradores.

" Há necessidade de serem criados mecanismos que evitem a distorção dos ideais para que a casa foi fundada. As trevas espreitam e a invigilância é sua aliada.



CAPÍTULO II
1. Esclarecimento e Estudo da Doutrina
Há quem considere que a Doutrina Espírita ...

Há quem considere que a Doutrina Espírita é destinada a gente culta e da classe alta da sociedade, e não aos humildes e aos simples.

Quando lembramos a doutrina de Jesus, agora trazida no Consolador, no Cristianismo Redivivo, podemos confirmar que ele veio para os doentes e não para os sãos. Mas é evidente que nos mundos, verdadeiras moradas da Casa do Pai, o ciclo é de evolução permanente até à condição de deuses, para todos quantos foram Criação de Deus, pelo que o Espiritismo é para todos e não só para alguns.

Assim, é obrigação primeira das Casas Espíritas trabalhar não só para o alívio, o consolo de quem sofre, mas principalmente para a sua evolução e aperfeiçoamento.

O esclarecimento deve ser dado de acordo com as capacidades daqueles a quem se destina, mas a nossa responsabilidade é encontrar a melhor maneira de todos entenderem, e não segregar aqueles que sejam mais humildes.

A Doutrina Espírita não estabelece fronteiras. O Espírito de Verdade, em resposta à pergunta sobre quais os "mandamentos dos espíritas" respondeu que o primeiro deveria ser "amarem-se" e o segundo "instruírem-se".

Logo, sendo que toda a mensagem é de amor, de paz e de esperança destinada a todos sem excepção, encarnados ou desencarnados, então a instrução, o ensino, é também fundamental para todos, estejam em que grau estiverem de evolução intelectual. Encontrar formas de chegar a todos, é responsabilidade dos espíritas, que deverão preparar-se permanentemente para cumprir a missão que escolheram e com a qual se comprometeram.

Logo, aos espíritas em primeira linha, importa o Estudo Sistematizado, para que preparados estejam para esclarecer aqueles que frequentam a casa espírita, por forma a que se transformem também em "espíritas", por opção e não por obrigação. Por outro lado, é preciso ter presente que há formas diversas de esclarecimento. Os espíritos encarnados, aqueles que fisicamente frequentam a casa espírita, precisam de ouvir a evangelização que, conforme o Mestre referiu, consiste em lembrar a Sua Doutrina. Precisam depois de entender que só beneficiam frequentando o Curso Básico e que nele ganhem gosto para continuar então em condições de se constituírem em discípulos do Cristo, e que a água é bem o complemento da fluidoterapia pelo passe.

Do outro lado, os Espíritos desencarnados também precisam de saber que é fundamental para eles saber, conhecer as leis que regem a vida, espiritual e física, conhecer o seu estado e o caminho a seguir, depois precisam de entender que para eles também há tratamento no mundo dos espíritos, fluídico, que os estudos podem prosseguir nesse plano através da frequência de cursos de preparação e estudo e que finalmente precisam de se integrar no trabalho edificante do amor, preparando-se, para o efeito, em escolas do espaço e agindo na companhia de grupos de trabalhadores do mundo espiritual. Para os dois planos, amor e instrução são segredos bem compreensíveis… e fundamentais para que os caminhos da esperança se abram.

Ainda que os encarnados possam assistir aos trabalhos, é fundamental compreender que eles são para os desencarnados. Mas não se vê nenhum inconveniente em que assistam os encarnados aos trabalhos para os desencarnados, da mesma forma que os desencarnados assistem aos dos encarnados e muitas vezes isso lhes basta para poderem compreender a situação e seguirem esclarecidos para os seus lugares de estudo e preparação.



2. FORMAS DE ESCLARECIMENTO AOS ENCARNADOS
O Centro Espírita deverá desenvolver um conjunto ...

O Centro Espírita deverá desenvolver um conjunto de tarefas destinadas a levar a todos o esclarecimento doutrinário, filosófico, científico e religioso que definem o Espiritismo.

Em nenhuma circunstância deve ser abandonado o ciclo de esclarecimento definido. Há quem abandone a palestra porque afirma faltar o tempo para os trabalhos. A preparação do ambiente individual e colectivo é fundamental para resultados mais eficazes no auxílio aos sofredores.

Os dirigentes devem, pois, organizar as tarefas e definir horários e os seus responsáveis, sendo de toda a conveniência coordenar o funcionamento entre todos os que respondem pelas diversas tarefas. Assim:

a. Palestras

As palestras são reuniões públicas de evangelização, com um tempo de duração entre os trinta e os cinquenta minutos, destinadas ao grande público de frequentadores do Centro Espírita. Elas poderão abranger uma leitura do Evangelho, seguida de um trecho psicografado de cariz moral, a que se seguirá a palestra que aborde a matéria em pauta.

A mesa que presida à reunião deverá ter três elementos, iniciando-se os trabalhos com um deles fazendo a prece de abertura e orientando um cântico de sintonia vibratória.

A palestra, de acordo com a Orientação ao Centro Espírita, encerrará com uma prece, com um cântico, a que se poderá seguir um trabalho de irradiação pelos doentes e outras tarefas que venham a ser definidas pelos responsáveis.

Os palestrantes poderão ser nomeados, progressivamente, dentre aqueles nomeados para ministrar os Cursos Básicos. Falar para alguns assistentes, para depois falar, sucessivamente, para mais.

b. Conferências

A Conferência é uma palestra levada a cabo por convidados especiais e exteriores à Casa Espírita, de duração entre os cinquenta minutos e uma hora e quinze minutos, abordando um tema de cariz doutrinário, científico ou religioso à escolha do conferencista.

As conferências poderão ser destinadas aos frequentadores da Casa Espírita e realizadas na sua sede, ou ser destinadas ao público em geral e realizarem-se nas próprias instalações ou em instalações exteriores à casa espírita.

c. Seminários

Os seminários são reuniões de esclarecimento sobre um tema e que podem durar três ou mais horas. Realiza-se por Módulos e desenvolve-se em todos os aspectos abrangentes da Doutrina, como sejam o filosófico, o científico e o religioso, em painéis mais ou menos diferenciados no tempo de acordo com o assunto a tratar. Um dos módulos poderá ser de perguntas e respostas.

Estas reuniões deverão ser levadas a cabo para um público alvo com alguns esclarecimentos da Doutrina Espírita, evitando-se, no período de perguntas, que o assunto abordado esteja fora do contexto.

d. Pagelas, mensagens e Livros

Outra forma de divulgação da Doutrina é a distribuição de Pagelas com conteúdos doutrinários, ou com conteúdos dirigidos para o consolo e a esperança, sempre com sentido doutrinário e evangélico, estas de tipo mensagem.

Por outro lado, o livro continua a ser um meio de difusão do Espiritismo, tendo em primeiro lugar a Codificação como bandeira e depois todo um conjunto de livros complementares de cuidado teor doutrinário.

Actualmente proliferam, dentro do movimento espírita, numerosas obras psicografadas de duvidoso conteúdo doutrinário. Dir-se-ia que, do Brasil, vão chegando livros com belas capas e da autoria de numerosos médiuns psicógrafos.

Compete aos dirigentes estudar e analisar em profundidade seus conteúdos, para que se não divulguem obras que ou sejam apenas transcrições de outras, ou que se baseiam em pequenas histórias comoventes, mas que não trazem qualquer conteúdo filosófico-doutrinário.

e. Estudo Sistematizado

O esclarecimento propalado nas tarefas anteriormente referidas, não deverá ser sequencial, ou sistematizado, pela simples razão de que as pessoas que demandam ao Centro Espírita não deverão ser sempre as mesmas o que pode ocasionar, se ele for sequencial, que por não terem acompanhado o esclarecimento anterior, os novos nada percebam do que seja dito.

Daí que o estudo sistematizado não deva ser feito publicamente, mas sim em grupos, ou turmas e sob a forma de Cursos Básicos englobando os três pilares da Doutrina.

Dessa forma e estruturados os trabalhos e os objectivos definidos poderemos ter:

   (1) Cursos Básicos

Deverão ser Cursos que não ultrapassem em duração as cinquenta sessões de uma hora por semana. O Curso abordará os aspectos evangélicos, doutrinários e prático (teóricos), sendo que a parte prática, real, só deverá ser dada aos elementos que se venham a integrar no trabalho da casa espírita.

Estes cursos deverão ser dados por pessoas especialmente aptas a futuros palestrantes, pois constituirá fonte de experiência o exercício do ensino a grupos reduzidos.

Os trabalhadores poderão participar nestes cursos como auxiliares do monitor e como dinamizadores de eventuais perguntas que complementem o esclarecimento. Servirá para abrir perspectivas para novos monitores de futuros cursos.

   (2) Cursos Especializados

Poderão ser organizados cursos de estudo sistematizado das obras da Codificação para aqueles que já se integraram no trabalho e aderiram à condição de trabalhadores do centro, ou mesmo para aqueles que não se tendo integrado queiram continuar sua preparação e estudo.

São também exemplos de cursos especializados os de Educação Mediúnica, que se podem considerar aqueles que constituem o exercício prático dos grupos formados por novos trabalhadores, ou os cursos de formação de doutrinadores e os de formação de dirigentes de grupos de trabalho ou de passistas.

   (3) Cursos de Actualização ou Formação de Trabalhadores

Ciclicamente os trabalhadores deverão ou participar de cursos básicos, como auxiliares, forma de se actualizarem na doutrina e de reverem a sua preparação evangélica, ou mesmo de cursos especiais de actualização especificamente criados para o efeito.

A actualização dos conhecimentos também poderá ser feita em reuniões de trabalhadores em que um certo tempo seja reservado à abordagem de um determinado tema evangélico-doutrinário, ou em reuniões de Formação de Trabalhadores.

   (4) Diálogo com terceiros

Para os trabalhadores é fundamental a frequência destes cursos como forma de melhor preparação para enfrentar todo um conjunto de cépticos, de ignorantes e de detractores da doutrina Espírita.

É evidente que todos os trabalhadores deverão estar sempre à espera que surjam casos como aquele que os levou ao Centro Espírita, ou mesmo casos mais dramáticos ou mais simples. Importa, pois, que todos estejam preparados para dialogar com os familiares, com os amigos, com desconhecidos que os interpelem, com aqueles que sofrem ou se desesperam, ou não sabem o que se passa com eles.

Levar a verdade, é ajudar a libertar aqueles que se encontrem agrilhoados ao seu passado.

Agenda
horário de funcionamento

2ªs  E 6ªs FEIRAS
19H00 – 20H20 – Atendimento   Fraterno
20H30 – 21H30 – Palestra
21H30 – 21H45 – Irradiação
21H45 – 22H00 – Passes
22H00 – 23H45 – Trabalhos Mediúnicos

5ªs FEIRAS
20H00 – 22H30 – Trabalhos Mediúnicos (tratamento específico)

SÁBADOS
14H00 – 17H00 – Departamento de Valorização da Vida               

17H00 – Departamento de Divulgação